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CONTADOR: ANIVERSÁRIO DE 62 ANOS

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Reflexão sobre o que fazer para alcançar o status profissional adequado

O Decreto-lei 7988 é de 22 de setembro de 1945. Portanto, está completando 62 anos de existência a criação do curso de Ciências Contábeis. E o como está hoje a profissão depois deste tempo de vida? A sociedade reconhece a verdadeira função do contador?

O que se vê hoje é antagônico. A maioria da sociedade e dos empresários enxerga o contador como o sujeito responsável pelo cumprimento da burocracia que o fisco estabelece para as empresas. Do outro lado, os cursos de Ciências Contábeis forma o profissional acadêmico, que cuida dos problemas empresariais com excelência e de forma analítica, em favor dos proprietários ou acionistas.

É preciso inicialmente separar a função contábil do próprio profissional contábil. A função da contabilidade é dar forma as pessoas jurídicas para evidenciá-las para seus usuários. Qual o investidor que não se debruça sobre os balanços da investida antes de investir seu suado dinheiro em uma empresa? Qual o banco que não solicita informações contábeis antes de conceder o empréstimo? Qual o administrador que não avalia o balanço publicado pelo concorrente para se posicionar no mercado?

Já o profissional contábil é responsável pela elaboração destas informações e, na maioria dos casos, pela sua análise. Contudo, é preciso exigir destes profissionais que avancem além do simples cumprimento de suas obrigações. Para recuperar seus status, ou se equiparar aos status dos contadores de países mais avançados, é preciso exercer sua profissão com mais proficiência nos momentos de decisão na empresa.

Também com relação ao exercício da profissão há quem recomende extirpar o termo contabilista. Ou o sujeito é contador ou não é. Se não é contador, formado em curso superior em Ciências Contábeis, então é técnico em contabilidade – curso de nível médio que não mais existe. Aliás, os órgãos representativos da classe tem incentivados a estes técnicos buscaram a formação superior. O que não dá mais é para juntar toda a farinha no mesmo saco. Tem contadores e tem técnicos.

Aliás, os contadores devem buscar que os órgãos de classe sejam dirigidos exclusivamente por profissionais com formação superior. No momento, quando todas as áreas buscam avanços nos cursos de pós-graduação, é inadmissível admitir que o Conselho de Contabilidade seja o único a permitir ser dirigido por profissionais de ensino médio. Os técnicos exercem, ainda, dentro dos conselhos, função fiscalizadora. Como se sente um profissional contábil com formação superior sendo fiscalizado por um profissional de nível médio? Teria respaldo legal a interpelação de uma defesa por parte de um contador contrapondo um auto de infração lavrado contra si por um técnico contábil? Pode um auxiliar de enfermagem autuar um enfermeiro?

Enfim, é preciso avançar em duas frentes. A primeira, arrumando internamente a profissão. Qualificando os técnicos e levando-os a formação superior. Revendo normas internas do exercício da profissão contábil e os regimentos dos seus órgãos de classe. Enquanto isso não ocorrer, não uso mais a palavra contabilista. Contador é contador. Técnico é Técnico. A segunda frente, é buscar alternativas de mostrar a sociedade o valor do profissional contábil. Como? Serviços qualificados, honorários adequados, contratos de prestação de serviços contábeis respeitados, maior participação nos debates tributários e estratégicos, representatividade política e serviços de relevância para as empresas, para o poder público e para as entidades sem fins lucrativos. 

Nestes 62 anos a profissão contábil ganhou em agilidade, em informação, em tecnologia, em capacitação profissional e tem, ainda, muito espaço para crescimento. É preciso avançar cada vez mais rápido. Só isso!

Silvio A.Teixeira, contador. Sócio proprietário da FORTCON Auditoria e Contabilidade. 


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