![]() |
|
||||
Londrina, terça-feira, 7 de setembro de 2010. |
|
Notícias EVOLUÇÃO DO TRABALHO CONTÁBIL sexta-feira, 27 de abril de 2007 Cenário mudou em 30 anos. Informática tornou-se ferramenta imprescindível Iniciei minhas atividades na área contábil em 1978 como auxiliar em um escritório de contabilidade. O ambiente repleto de mesas abarrotadas de papéis e livros fiscais a serem preenchidos manualmente. Alguém me lembrou do tempo que em cada mesa o funcionário se armava com água sanitária e pequenos pincéis, ferramentas improvisadas que serviam para consertar os eventuais erros cometidos durante o processo de escrituração manual. Escreveu errado, consertava-se cuidadosamente com o pincelzinho embebido na água sanitária. Afinal, os livros fiscais não podiam (e não podem) conter emendas, rasuras ou borrões. O cenário era esse para os candidatos a se empregar na área. Habilidades como boa caligrafia, velocidade em escrever a mão ou a máquina e na utilização da máquina de somar eram prioridades para o empregador. Somar ou datilografar rapidamente, preferentemente sem olhar para as teclas, eram garantia de um emprego nos escritórios de contabilidade. Quase 30 anos depois o cenário é outro. A própria evolução da economia, que passou por períodos turbulentos recheados de inflações exorbitantes e indexações constantes, fez com que o governo adotasse prazos cada vez menores para os contribuintes cumprirem suas obrigações com o fisco. Os recolhimentos dos impostos passaram de anuais, para mensais, quinzenais, decendiais e, até, diários. Não houve outra saída a não ser informatizar todos os setores operacionais da contabilidade. Após a informatização do próprio processo de escrituração contábil, que resulta nos livros diário, razão e as demonstrações contábeis, veio a informatização da área fiscal. Livros e guias de recolhimentos dos mais diversos impostos ficaram por último, mas também foram informatizados. Adeus ao pincelzinho com água sanitária. O próprio fisco, em especial a Receita Federal, Secretarias das Receitas Estaduais e as Prefeituras, se informatizaram, levando os contribuintes a utilizarem sistemas para enviar suas informações. A boa caligrafia ou rapidez na datilografia foi substituída pelo toque no mouse para envio de arquivos magnéticos. E pensar que muitos profissionais relutaram a utilizar os primeiros softwares de escrituração fiscal. Algum motivo? Há alguns anos atrás ouvi de uma ex-gerente do extinto Banco Banestado que a profissão de contador estava com os dias contados devido a informatização dos processos contábeis e fiscais. Errou feio, afinal ela não imaginava que a velocidade da informatização na contabilidade somente agilizaria o processo, dispensando o contador para trabalhos mais analíticos do que operacionais. Você imagina quanto tempo um escriturário contábil levava para escriturar uma página do livro fiscal com vinte notas de entradas? Compare com a digitação de vinte notas fiscais, que muitas vezes sequer precisam ser digitadas se forem emitidas em um ambiente integrado de faturamento, escrituração e contabilidade. Quanto tempo se levava para preencher a Declaração de Imposto de Renda na máquina de datilografia? Compare com aquele tiozinho meia idade que tecla só com dois dedos, que digitou sua própria escrituração, o sistema conferiu e escolheu o melhor modelo e a enviou a Receita Federal. Tudo sem sair de casa. Tudo em menos de cinco minutos. É a internet que influencia a vida das pessoas e, obviamente, revolucionou os serviços contábeis. Além da ligação da contabilidade com os órgãos fiscalizadores e governamentais, a internet está mudando a relação com os usuários da contabilidade. Atualmente, a integração dos serviços contábeis diretamente da base de dados dos escritórios aos computadores das empresas clientes está ganhando espaço e tornando-se fator competitivo para o mercado de serviços contábeis. Acessar relatórios contábeis sem precisar ir ao escritório do contador é uma comodidade que qualquer empresário ou gestor quer. Se tiver dúvida, ele marca uma reunião para discutir o que já leu previamente. Os sistemas contábeis disponíveis no mercado estão se adaptando para esta necessidade, permitindo busca de informação, acesso a relatório e troca de dados via internet. Comodidade e agilidade, tal qual o tiozinho da declaração. A estratégia está no desenvolvimento de um relacionamento entre o contador e seu cliente. O que se visualiza é que num futuro não muito distante, cada vez mais os papéis serão substituídos. Os livros e papéis de hoje serão transformados em arquivos digitais. O governo já iniciou um projeto piloto para o uso de notas fiscais eletrônicas. É mais um passo para o fim das montanhas de papéis sobre as mesas e os espaços destinados as pastas e arquivos físicos. O processo de informatização já ganhou unanimidade na atividade contábil e é irreversível. Restará mais tempo para o profissional contábil avançar em áreas correlatas, adquirir mais conhecimentos gerais, desenvolver relações inter-pessoais. Alavancar o crescimento horizontal de sua atividade profissional, estendendo-a principalmente ao atendimento ao cliente. Afinal, terá mais tempo para isso!
Silvio A.Teixeira. Mestre em Contabilidade e Controladoria, Contador e Auditor da FORTCON, Diretor de Graduação e Pós-Graduação em Contábeis da PUCPR e Professor da UEL. < voltar para o índice de notícias |
|
2007© Todos os direitos reservados: FORTCON AUDITORIA E CONTABILIDADE |