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FUTEBOL S/A: A HISTORIA DA RECUPERAÇÃO FINANCEIRA DO COLO COLO

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Veja como a colocação de ações na bolsa reverteu a insolvência do clube chileno.

No dia 18 de outubro do ano passado, os operadores da   Bolsa de Comércio de Santiago ficaram eufóricos lendo o caderno de esportes dos jornais. As manchetes que atraíam a atenção de todos era o fato de o atacante do Colo Colo Matías Fernández ter sido contratado pelo espanhol Villareal. O passe do chileno para a Espanha superou os US$ 9 milhões e os operadores só se concentraram em suas benditas pernas, que elevou sua equipe na Copa Sul-Americana.

Hoje, na bolsa santiaguina, todos devem ler, ver e saber de futebol. Assim acontece desde 24 de junho de 2005, quando as ações do Colo Colo começaram a ser negociadas. Até na Superintendencia de Valores e Seguros (SVS), órgão fiscalizador, agora é preciso saber de futebol. Por exemplo, em 18 de outubro a empresa Blanco y Negro (B&N), holding do Colo Colo, enviou um fato relevante à SVS informando a venda de Fernández ao Villareal. Mas era tarde: na primeira hora os agentes do mercado liam a notícia no caderno de esportes. Os rumores sobre a transação começaram a correr na mídia no início de outubro e a alta das ações neste mês chegou a 8%. “Os movimentos foram milionários”, diz um operador. E a B&N recebeu do fiscalizador um puxão de orelhas.

A grande jogada. Com sua chegada ao mercado, o Colo Colo faz história. É o primeiro clube na América que se lança à bolsa, tal como o fazem os clubes europeus Manchester, Arsenal, Newcastle ou Juventus. A diferença é que abriu capital depois de três anos quebrado, sob intervenção de um síndico, asfixiado por credores e escassos triunfos no campo. Sua dívida ultrapassava os US$ 38 milhões e faltavam apenas quatro meses para o remate de todos seus ativos, o que jogaria no lixo 80 anos de história.

“Mas o Colo Colo é o Chile e era preciso salvá-lo”, diz José Miguel Barros, diretor de finanças corporativas da corretora Larraín Vial e diretor da B&N, em Santiago, repetindo as palavras dos torcedores do clube. “O futebol é um negócio muito atraente que não existia na bolsa e esse é um de seus tantos atrativos.” Está certo: as ações do clube registram uma alta de mais de 90% este ano.

Ressuscitar
Mas ressuscitar um morto não foi fácil e um grupo de empresários teve que criar um plano viável para fazer do Colo Colo uma empresa. O primeiro passo foi dado em setembro de 2004 por Cristián Varela, o então líder da Corporación Club Social y Deportivo Colo Colo e hoje presidente da B&N. Quando faltavam meses para a operação, Varela se juntou com empresários chilenos, aos quais se uniu seu advogado, Arturo Marín.

Junto com a Larraín Vial, representada por José Miguel Barros e Andrés Bulnes, que eram parte fundamental do plano para erguer o clube. “E se escolheu o caminho que muitos consideravam inviável: colocar 100% do Colo Colo na bolsa”, conta Andrés Bulnes, da área de finanças corporativas da Larraín Vial. “Vendia-se apenas um projeto.” Ainda que a salvação fosse remota, estavam seguros de que podiam sair bem porque, segundo a empresa The Lab, da Young & Rubicam, o Colo Colo é uma das marcas de maior valor no Chile, tem estádio próprio, terrenos que somam quase 12 hectares, várias taças e milhões de torcedores.

“Achavam que éramos loucos, já que o trabalho parecia impossível”, diz Cristián Varela. Fala das três barreiras que tiveram que enfrentar: a) convencer os credores que iam colocar dinheiro sobre a mesa depois da colocação das ações; b) lidar com os torcedores que votavam na junta para que também dessem sua aprovação; e c) adaptar a lei chilena para que o clube pudesse sair ao mercado.

O último foi o mais difícil, pois a lei de Sociedades Anónimas Deportivas vigente até então não estabelecia a fórmula que necessitavam para o pagamento da dívida fiscal, superior a US$ 13 milhões. “Quando entramos na discussão, foi proposto que se entregassem em concessão todos os bens do clube”, diz o advogado Arturo Marín, que conseguiu que em seis meses se aceitassem as modificações e fosse entregue à B&N a concessão por 30 anos. “Houve boa acolhida no Ministério da Fazenda e no Congresso, ainda que o difícil era que acreditassem que se podia administrar bem e profissionalmente.”

Fonte: Francisco Vega (Santiago/Chile). AméricaEconomia.


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