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EMPRESAS NA MIRA DAS AUDITORIAS

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Folha (Caderno Economia em 08/02/09): Silvio, da FORTCON, recomenda controles internos e auditoria de gestão

As auditorias são tradicionalmente conhecidas pelos modelos de checagem de relatórios financeiros e balanços das empresas. O trabalho consiste em comparar, por meio de levantamentos, as declarações contábeis com o movimento real de numerário dentro dos departamentos financeiros. Mas atualmente, as temidas auditorias já podem ser utilizadas como um método preventivo pelo empresariado.

Caso emblemático ocorreu no Instituto do Câncer de Londrina, na gestão anterior à comandada pelo médico Nelson Dequech. Em entrevista à FOLHA, ele explica que teria faltado empenho no controle das despesas. Tal fato teria gerado série de endividamentos que complicaram as finanças da instituição.

Dequech afirma que 'foram alguns desmandos que criaram um alto endividamento' e não falcatruas propriamente ditas. Foi isso que acarretou um acúmulo deficitário, que até hoje prejudica as receitas operacionais do hospital, que possui dívidas pendentes.

De acordo com o auditor Sílvio Teixeira, para evitar tais entraves, está em evidência um modelo preventivo de auditorias fiscais. O foco é atender ao empresário no apontamento de fraudes, mas sobretudo, erros internos na administração. 'É a auditoria de gestão, voltada para a qualidade de informação e organização', pontua.

Controle de contas internas, gestão de riscos e indicadores de desempenhos são os procedimentos mais comuns onde os auditores costumam achar erros e desvios. Em termos práticos, o pequeno empresário tem menor controle sobre suas finanças e operações, por isso o nível de informalidade das suas operações também é maior. 'Tal fato se dá porque sua contabilidade não reflete a realidade do seu negócio', completa

Outro aspecto importante é a redução de riscos que o trabalho de checagem periódica traz. Em termos proporcionais, um terço de sucesso da gestão se traduz em controle, fato que também encontra reflexos na qualidade. Caso contrário, vale a regra inversa - a empresa pode estar deficitária na mesma proporção.

Atualmente, tais auditorias atuam calcadas em quatro pontos fundamentais - atividades/ambiente de controle, avaliação de riscos, informações e monitoramento.

Entretanto, normalmente os empresários procuram a solução depois que a fraude já ocorreu. Como muitos não destinam recursos para contratação de uma auditoria, na prática é comum notar os problemas só depois que estão em grandes proporções.

Teixeira lembra o caso onde o sistema contábil registrava uma duplicata como paga em dia. Porém, só depois o empresário descobriu que havia sido paga com juros e o funcionário deu baixa como à vista, para poder embolsar a diferença em dinheiro.

Na prática, os métodos estão divididos em testes de observância e substanciais, e obedecem uma série de procedimentos, como conferência de cálculos, inspeção de documentos, contagens físicas e circularização com fornecedores para checar os procedimentos. 'Elas têm por objetivo fazer com que os controles internos existentes funcionem para evitar tais erros e fraudes', explica.

Para que a empresa tenha essa cultura, todavia, seu diretor precisa valorizar o trabalho de fiscalização das auditorias.

Modelo clássico

A atuação das auditorias é a espinha dorsal do Estado na hora de monitorar a legalidade das empresas que atuam em licitações ou das identificadas como de capital aberto. Como prevalece o modelo tradicional, os levantamentos mais comuns são sobre indicadores de desempenhos com relação ao movimento fiscal das áreas de saúde e educação.

Em síntese, relatórios e balanços 'garantem' a transparência das instituições financeiras. Suas solicitações são determinadas por lei e, até há alguns anos, apenas as empresas de capital aberto tinham a obrigação de realizar uma conferência periódica, porque possuem ações na bolsa de valores. Por isso, elas estão controladas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão regulador do mercado acionário no Brasil. Mas hoje, já existe uma resolução que exige relatórios de todas as empresas de grande porte.

Renato Oliveira
Reportagem Local


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